Sinais de desprezo pela Democracia

Salgueiro Maia mereceu um museu em Santarém. Hoje resta uma imagem devastadora com a bandeira de Portugal num monte de lixo. Um país sem memória e que não respeita um dos fundadores da democracia
“Ai Maia, Maia, porque saíste tu de Santarém, naquela madrugada de 25 de Abril de 74?
Parece que não conhecias a ingratidão da Pátria.
Este é o estado em que se encontra o Museu Tenente Coronel, Salgueiro Maia, na escola prática de Cavalaria de Santarém…
Ao menos podiam ter arrancado os azulejos com o teu nome e ninguém saberia…
A bandeira no chão, é apenas um detalhe, tu que lutaste por ela nas bolamas da Guiné e em Moçambique.
Ainda não tinhas arrefecido na campa rasa de Castelo de Vide, e já o Supremo Tribunal Militar recusava uma pensão à tua viúva, no mesmo dia em que a dava a 2 pides…
Consta que a tua filha e os teus netos, sobrevivem com privações.
“Há vários tipos de Estado.
E há o estado a que isto chegou”
Disseste naquela madrugada, aos soldados que te seguiram a caminho do terreiro do paço.
Mal sabias que nesse dia havia de cair o Carmo.
Mas sobreviveu a santíssima Trindade:
A ingratidão dos que libertaste.
A inveja dos que ultrapassaste.
E o rancor dos que derrubaste”.
Por Varela de Matos
Quem foi Salgueiro Maia

Em 1973 iniciam-se as reuniões clandestinas do Movimento das Forças Armadas e, Salgueiro Maia, como Delegado de Cavalaria, integra a Comissão Coordenadora do Movimento. Depois do 16 de Março de 1974 e do Levantamento das Caldas, foi Salgueiro Maia, a 25 de Abril desse ano, quem comandou a coluna de blindados que, vinda de Santarém, montou cerco aos ministérios do Terreiro do Paço forçando, já no final da tarde, seguindo as ordens de Otelo Saraiva de Carvalho no Posto de Comando na Pontinha, a rendição de Marcello Caetano, no Quartel do Carmo, que entregou a pasta do governo a António de Spínola. Salgueiro Maia escoltou Marcello Caetano ao avião que o transportaria para o exílio no Brasil.

Na madrugada de 25 de Abril de 1974, durante a parada da Escola Prática de Cavalaria (EPC), em Santarém, proferiu o célebre discurso: “Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estados socialistas, os estados capitalistas e o estado a que chegámos. Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos! De maneira que, quem quiser vir comigo, vamos para Lisboa e acabamos com isto. Quem for voluntário, sai e forma. Quem não quiser sair, fica aqui!” Todos os 240 homens que ouviram estas palavras, ditas de forma serena mas firme, tão característica de Salgueiro Maia, formaram de imediato à sua frente. Depois seguiram para Lisboa e marcharam sobre a ditadura.[1][2]

A 25 de Novembro de 1975 sai da EPC, comandando um grupo de carros às ordens do Presidente da República. Será transferido para os Açores, só voltando a Santarém em 1979, onde ficou a comandar o Presídio Militar de Santarém. Em 1984 regressa à EPC.

Após a revolução

Grafite do ícone da Revolução dos Cravos, Fernando José Salgueiro Maia, na parede da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa

Placa de homenagem a Salgueiro Maia, no local onde se dirigiu aos sitiados no Quartel do Carmo – Largo do CarmoLisboa

A 24 de setembro de 1983, recebe a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, e, a título póstumo, o grau de Grande-Oficial da Antiga e Muito Nobre Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, a 28 de junho de 1992,[6] e em 2007 a Medalha de Ouro de Santarém.

Recusou, ao longo dos anos, ser membro do Conselho da Revolução, adido militar numa embaixada à sua escolha, governador civil do Distrito de Santarém e pertencer à casa Militar da Presidência da República. Foi promovido a major em 1981 e, posteriormente, a Tenente-coronel.

Em 1989, foi-lhe diagnosticada uma doença cancerosa que, apesar das intervenções cirúrgicas, o vitimaria a 3 de abril de 1992.[1][2] Os restos mortais de Salgueiro Maia foram exumados em 17 de novembro de 2015, em Castelo de Vide, para recolha de amostras de ADN. A ordem partiu do Tribunal de Família e Menores de Santarém e tem por base um processo de reconhecimento de paternidade que deu entrada na primeira instância em agosto de 2013. A ação foi interposta por um luso-americano, de 31 anos, que será fruto de uma relação extraconjugal de 10 anos mantida pelo militar, iniciada quando esteve destacado na ilha de São Miguel, nos Açores, com uma jovem emigrada nos Estados Unidos.

Foi agraciado a título póstumo pelo Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, a 25 de abril de 2016 (Dia da Liberdade)[6], tendo a condecoração sido entregue à viúva a 30 de junho de 2016, véspera do dia em que completaria 72 anos de vida.[

Texto Wikipedia

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