Dirigente infectado com Covid exigiu ser tratado junto dos utentes da sua instituição

De volta a casa, depois de testagem negativa, após 12 dias em quarentena, com resultado positivo. Fiquei estes dias todos, literalmente dentro de um Lar de idosos, na sequência de um surto que atingiu 49 pessoas, entre idosos, funcionários e eu próprio.
Podia não o ter feito, mas enquanto presidente da direção, optei por fazer a quarentena lá dentro, viver para contar, e simultaneamente, colaborando e incentivando mulheres extraordinárias que se aguentam numa frente de combate muito desgastante e complexa.
Tenho repartido a minha vida entre a cultura, a ação social, o ambiente e o desenvolvimento territorial em geral, mas entendi viver por dentro esta experiência, para ajudar, tomar decisões e também para perceber o ambiente catastrófico e aflitivo de que tanto se fala dos surtos em Lares de Idosos. Numa altura de que tanto se fala de humanidade e desumanidade.
Estes foram dias inimagináveis, intensos e de grande aprendizagem. Da partilha de afetos, do carinho prestado e da dignidade com que se tratam os nossos seniores.
Agora a situação já está numa segunda fase descendente e com mais uns esforços e uns dias, não estará longe, o fim da tempestade.
Resta que tudo continue a correr bem, porque tudo isto é frágil, tudo tem que se lhe diga, nem tudo são rosas e a vida é feita de pequenos nadas e de muitas vontades. De gestos simples e decisões assertivas.
Estou de volta a casa, animado mas ainda não totalmente descontraído, trazendo no pensamento aqueles que ainda ficaram no campo de batalha e do trabalho que ainda têm pela frente.
O caminho ainda não terminou, mas cabe em qualquer circunstância um louvor a funcionárias, diretora Técnica, serviço administrativo, de enfermagem e médico, pelo empenho e dedicação. Sem parangonas. Com a noção de que de um momento para o outro, tudo pode acontecer. E todos podemos estar dentro de um furacão.
Como em qualquer parte do mundo, numa altura destas, ninguém está livre e só quem passa pela tormenta, percebe o que vai lá dentro.
Na ERPI do Sabugueiro, os que ainda estão positivos, quase não têm sintomas, e dentro de dias terão também boas notícias. Apesar de que, o que é hoje, pode não ser amanhã. E como temos esperança e reiteramos com frequência o espírito positivo, acreditamos que tudo vai correr bem, apesar de tudo!
A imagem pode conter: pessoas sentadas e interiores
Mário Branquinho é presidente da direcção da ERPI do Sabugueiro

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