A importância da música para os mais idosos

No nosso site pode ouvir a Rádio Sociedade Justa. Neste artigo mostramos informações de diversos autores sobre a importância da música na terceira idade. Compreenda os benefícios da música em todo o contexto de envelhecimento.

Trata-se de trazer informações sobre a importância da música na terceira idade, associar música à bioética, descrever envelhecimento e a musicoterapia, e citar os benefícios da música na terceira idade.

Um assunto ligado à saúde integral e coletiva que norteiam as informações da importância da musica para os idosos, levantando questões da valorização da vida e bem estar. O tema é importante na promoção de saúde da terceira idade com bases na investigação e intervenção dos profissionais de saúde e dos musico terapeutas, promovendo uma ação conjunta. 

A metodologia utilizada para este trabalho foi a pesquisa bibliográfica, através de uma leitura atenta e interpretativa, com bases de dados descritas na BVS (Base Virtual em Saúde), Scielo e do Centro Latino Americano e do Caribe em Ciências de Saúde (Bireme). As estratégias buscaram palavras chaves com a associação de uma ou mais palavras como terceira idade, musicoterapia, bioética etc.

INTRODUÇÃO

Temos observado que nos últimos anos a população, tem envelhecido mais rápido. E isso tem aumentado os grupos conhecidos como terceira idade. Idosa é aquela pessoa que possui mais de 60 anos de idade. O idoso deve ter sua saúde física, mental, moral, intelectual, espiritual, e social preservada. Instituído por Lei, deve de essa forma ter suas necessidades supridas.

A família tem por obrigação oferecer prioridades na efetivação que o idoso tem, oferecendo a ele saúde direito a vida, alimentação, cultura, desporto, lazer, trabalho, cidadania, liberdade, dignidade, respeito e convivência familiar.

É preciso que idosos acima de 80 anos tenham as suas prioridades especiais. Os direitos das pessoas idosas vão além do que pensamos, pois eles têm o direito de envelhecer, direito de liberdade de expressão, dignidade, alimentos, saúde, educação, desporto, lazer, exercício de atividades profissionais, reforma, casa, transporte, atendimento preferencial, acesso à justiça etc.

A música pode oferecer benefícios para idosos, assim como interação em grupos. Favorece a memória, evoca lembranças do presente e do passado. Quando utilizada com prazer a música pode trazer ao idoso a compreensão do mundo e de nós mesmo. Estudos comprovam que a música traz melhoria corporal, melhorando atividades musculares, melhorando então a respiração, pressão sanguínea, humor e metabolismo além de fortalecer as relações interpessoais onde a música é capaz de sociabilizar integrar e promover o equilíbrio emocional.

O envelhecimento chegará para todos nós sendo de extrema necessidade avaliar estruturas afetivas e a formação do eu, pois com o tempo o idoso sofre desvalorização e a perda da identidade conforme os anos se avançam, e sua motivação existencial já não é mais a mesma.

O tema abordado acomete indivíduos idosos e aqueles que prestam atendimentos para este público alvo, desenvolvendo atividades através da música, melhorando a qualidade de vida de um idoso, acolhendo conforme as necessidades de cada um apresentado.

DESENVOLVIMENTO

Para abordarmos o tema da importância da música na terceira idade, é necessário saber de que forma a música atua no nosso desenvolvimento motor, relatando brevemente sobre a anatomia.

Nessa fase o indivíduo passa então a não se sentir mais útil por conta de sua mobilidade física, com isso surgem os medos, a insegurança, enfermidades e a certeza que o processo de morte está próximo .

Somos constituídos de Sistema Nervoso (SN) e Sistema Nervoso Central (SNC), formado pelo cérebro, cerebelo , tronco encefálico, seguido medula espinhal e o Sistema Nervoso Periférico (SNP), que são formados por axônios que levam impulsos nervosos pelos receptores da periferia do nosso corpo para o SNC , para músculos e gânglios , junto aos  gânglios que são como corpos neuronais fora do SNC.

 O sistema nervoso interage com o individuo através de estruturas nervosas distintas que são interligadas com o Sistema Nervoso Somático (pelo ambiente) e com o meio interno (Sistema Nervoso Visceral).

Dessa maneira recebe então as informações necessárias e compara com outras atividades que são processadas pelos impulsos somáticos que são conduzidos pelo SNP, pelos músculos, pelas eferentes viscerais, músculos lisos e cardíacos, glândulas etc. que são utilizadas quando em momento de fuga ou luta de um individuo.

A música passa a ser captada pela nossa audição e provoca uma reação involuntária, tem origem na região subcortical do cérebro e do Sistema Nervoso Somático (SNS) e do Sistema Nervoso Visceral (SNV). A comunicação entre os dois sistemas garante uma interação com as regiões corticais e subcorticais do cérebro com a medula espinhal, o que garante em seu total a unidade de ser e controlar as dimensões que são as afetivas, motoras e cognitivas de cada um de nós. (SUGAHARA)

Jordain (1998) descreve que o cérebro processa o som, antes que a musica seja reconhecida como tal. Após isso, acontece o rastreio das fontes de som, que emite um movimento pelo espaço, passando pelos colículos inferiores, que se encontram localizado atrás do tronco encefálico levando ao funcionamento dos neurónios, caso haja, um funcionamento nas mais diversas posições, acontecendo então a primeira reação quando há uma escuta.

No processo com os animais, o som acontece também para que eles evitem a presa, isso faz com que os coliculos inferiores se direcionem nas orelhas dos animais emitindo o alerta, onde esse som se encontra com a visão e o toque, algo parecido mais com os seres humanos. (SUGAHARA,)

Sacks (2017) cita que nós, seres humanos, temos o dom de nos comover com a música, desde o momento em que fomos concebidos e passamos a ter uma vida intrauterina, pois o feto vivencia momentos de muitas vibrações, em um mundo cheio de sons, ritmos e movimentos. Com isso, os bebés começam a reagir a esse suposto barulho, após 3 horas de nascidos eles passam a ouvir com mais intensidade e menos qualidade do som, porém isso evolui e a partir do segundo mês, o estímulo auditivo está mais aguçado e assim pode perceber sons agradáveis de sons que não agrada.

A Bioética – contributo

A bioética dentro da música vem para contribuir com o processo dentro dos estudos éticos. No principio era um campo que tratava especificamente da área médica e algumas pesquisas com seres humanos. Encontrou–se na obra pesquisada Constantino (2006) que descreveu como um campo que transformações éticas que já estava sendo analisada há 40 anos atrás, hoje nos dias atuais se tornou uma área de conhecimento não apenas médico, mas de todas áreas que englobam o contexto social .

Autores como Beauchamp; Childress, (2002), diz que é possível a partir disso desenvolver a dignidade do homem através do respeito e direitos fundamentais, ponde através da autonomia é possível uma tomada de decisões. Antigamente existiam pesquisas com seres humanos que não respeitava a dignidade humana, o que mudou após a II Guerra Mundial, onde seria necessária uma autorização expressa da pessoa que fosse submetida ao experimento, consentindo então com sua participação.

Dentro do trabalho com a música é necessário o respeito da autonomia do individuo e o seu gosto pela música, isso afim de que obtenha resultados positivos quanto ao tratamento, pois cada paciente é único e possuem suas particularidades, isso faz com que os objetivos sejam alcançados respeitando dessa forma a singularidade e integridade.

O musico terapeuta deve utilizar todos os recursos que são necessários para que haja um tratamento de sucesso. É importante observar o potencial da música, onde e como deve ser aplicada sendo necessário que se levante o conhecimento da pessoa a ser atendida conhecendo então suas preferências musicais, levando em conta o estado psicológico / mental, tendo uma devolutiva em seus atendimentos visando sempre a melhora de qualidade de vida do idoso.

O musico terapeuta deve ser um profissional hibrido com foco na música, mas em questões de saúde também, levando em conta as particularidades do seu atendido, pautado em conhecimentos científicos onde ele terá o exercício de sua função fundamentada.

Como o foco do trabalho é terceira idade, é importante ressaltar  que o idoso tem uma menor quantidade de oxigénio, diminuindo a respiração, levando as alterações no metabolismo também. Dessa forma, há prejuízos nas fontes cognitivas o que pode em certo momento prejudicar a fala, movimentos, memórias etc. A música tem acompanhado o envelhecimento com o poder de transcender o tempo, as épocas, e as culturas, pois sempre a música está presente (WISNICK, 1989)

A musicoterapia consegue de certa forma atuar nas funções cognitivas onde o individuo recebe em suas instâncias psíquicas as estimulações, pois a música pode alcançar muito mais fácil as informações do que na linguagem verbal, pois o acesso é mais difícil em situações de deficiências.

Peretz, Zatorre (2005) diz que a música tem o poder de comunicar o que nós sentimos, reflectindo informações sobre nós. No envelhecimento temos aspectos que comprometem muito as cognições, onde o individuo pode então ser estimulado pela música, iniciando o processo que compreende e elabora os sentimentos e as emoções.

Os estímulos passam então a organizar essas funções psíquicas e assim ter uma evolução que compreende e elabora os conteúdos verbais. A musicoterapia é importante nesse momento para o tratamento dos idosos no período da terceira idade, com os objetivos de restabelecer a autoestima, restituindo a capacidade que ele tem de si mesmo.

Diante disso o idoso tem a possibilidade de ter suas atividades mnémicas com suas capacidades instituídas, onde através da música ele pode cantar ouvir, criar, tocar, improvisar, partilhando assim de suas experiências tanto individuais como em grupo.

A música permite também a melhora da comunicação verbal do idoso, pois através dela os sentimentos são comunicados se torna então um aspecto que caracteriza o ser humano e isso estimula-nos a conectar com nossos níveis pessoais que não podem ser transferidos a ninguém. (PERETZ; ZATORRE, 2005)

A música é a ponte onde o idoso se reestrutura e se recicla, pois eles sempre apresentam uma emergência nos conteúdos que criam e são estabelecidos. Tendo em vista que o som pode promover uma comunicação com as cargas afetivas e emocionais que tratam o individuo em um todo, onde é possível um equilíbrio que leva a restituição de suas capacidades funcionais trazendo funções que estão adormecidas pelo desuso.

Hilliard (2004) cita que a musicoterapia tem a possibilidade de levar o individuo a se encontrar com as suas próprias vivências, valorizando a sua auto realização, resgatando memórias e trazendo satisfação pela vida novamente.

Em idosos com a Doença de Alzheimer, geralmente aparece mais o problema com a memória atual, quando as memórias passadas são mais registradas. Conforme o quadro da doença avança, vai comprometendo a memória global do individuo. Para isso, a inserção da música movimenta suas funções cerebrais, estabelecendo contato com a memória, restituindo lembranças e reconstruindo novas histórias. (Ziv N, Granot A, Hai S, Dassa A, Haimov , 2007)

Quando inseridas as músicas, o idoso pode ser levado para outros momentos de suas vidas, onde evocam lugares relacionados à escuta do som e da musicalização. A música também produz alterações importantes no organismo, que podem atuar nas células e órgãos , assim como nas emoções influenciando em processos do corpo como respiração, pressão, digestão, metabolismo, sistema imunológico, atividade imunológico, cérebro e em situações da emoção.

Há muitas mudanças no nosso corpo que acontecem através da música, uma delas são as modificações na nossa face, que traduz reacções boas ou ruins como: felicidade, tristeza, ansiedade, raiva, nervosismo, alegria , medo, tranquilidade , surpresa dentro outras mais reações e que de alguma maneira vai apresentar uma emoção . O relaxamento em idosos também é possível observar, pois eles respondem através do sono, demonstrando a eles uma capacidade  que traz alívio para o stresse, o isolamento, a angústia  e regulariza até mesmo o sono que nesse momento pode estar fora do padrão normal.  Sendo assim, a música em portadores de Alzheimer pode ser apresentada com vários propósitos além de relaxar e resgatar lembranças de coisas que eles já vivenciaram anos atrás. (Andrade; Pereira LV; Sousa; 2012)

A música é importante também no alívio de dores, pois através do som são liberadas substâncias como endorfinas e serotoninas que trazem aos idosos satisfação e prazer, além da liberação de neurotransmissores, distraindo o idoso do foco daquilo que traz a dor, dessa forma desestimulando a sensação dolorosa que ele venha sentir e a percepção desse sentimento.

 CONCLUSÃO

 É possível observar no decorrer do trabalho que a música é um campo que  traz bastante benefícios  para os idosos, e tem apresentado um importante papel  que previne e  mantém intactas as funções cognitivas sóbrias. As pesquisas atuais trazem-nos informações em que a musicoterapia abre diversas possibilidades para novas descobertas.   Com a terceira idade, a música alcança diversos tipos de tratamentos para as mais diversas abordagens nessa época da vida, onde trata o indivíduo como um todo.

Quando falamos de idosos, para que tenhamos sucesso é necessário acções multidisciplinares que os valorizem em todas as áreas, e acrescentar a musicoterapia possibilita essa contribuição de forma mais efectiva sendo extremamente importante para este público.

A musica é importante porque oferece reabilitação física e mental que tem poder de cura e transformação. A escuta musical também se torna terapêutico pois permite que o idoso se respeite se conheça mesmo diante das limitações que podem ser apresentadas, desenvolvendo-o para que ele viva em sociedade , tendo uma vida plena e com saúde .

 REFERÊNCIAS

 ANDRADE FA, PEREIRA LV, SOUSA FAEF. Mensuração da dor no idoso: uma revisão. Rev Lat Am Enfermagem [Internet]. 2006 [cited 2012 jun 30];14(2):271-6. Available from: http://dx.doi.org/10.1590/S0104-11692006000200018

BEAUCHAMP. Tom L.; CHILDRESS, James F. Princípios de Ética Biomédica.

Tradução: Luciana Pudenzi. São Paulo: Edições Loyola, 2002

BRASIL. Estatuto do idoso: lei federal nº 10.741, de 01 de outubro de 2003. Brasília, DF: Secretaria Especial dos Direitos Humanos, 2004.

BRASIL. Estatuto do idoso: lei federal nº 13.466, de 01 de outubro de 2017. Brasília, DF: Secretaria Especial dos Direitos Humanos, 2017.

CONSTANTINO, Clóvis Francisco. Editorial. In: Bioética & Ética Médica. v.14, n.1.

Brasília: Conselho Federal de Medicina, 2006. p.7-8.

HILLIARD RE. A post-hoc analysis of music therapy services for residents in nursing homes receiving hospice care. Journal of Music Therapy. Winter; 41(4):266-81, 2004. Kim Sj, Koh I. The effects of music

JOURDAIN, Robert. Música, cérebro e êxtase. Rio de Janeiro: Objetiva, 1998.

PERETZ Isabelle, Zatorre, Robert j. Brain organizationfor music processing. Annu Rev Psycholoor, 56:89-114,2005.

SACKS, Oliver. Alucinações musicais. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

SUGAHARA, L. Contribuições da Teoria de Desenvolvimento de Henri Wallon para pensar a educação musical. Revista Eletrônica Thesis, São Paulo, ano XII, n. 26, p.24-42, 2° semestre, 2016.

WISNIK, JM. O Som e o Sentido. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.

ZIV, N, Granot A, Hai S, Dassa A, Haimov I. The effect of background stimulative music on behavior in Alzheimer’s patients. J Music Ther. 2007;44(4):329-43

ESTE TEXTO é oferecido pela Rádio Sociedade Justa que pode ouvir em www.sociedadejusta.pt

 

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