COVID – a desculpa perfeita

Não estou no grupo dos negacionistas, convirá começar já com esta declaração em vista a uma leitura concertada na real motivação do que aqui quero transmitir. Cumpro as diretrizes dos sucessivos  e declarados Estados de Emergência e promovo junto dos meus pares igual comportamento. Escolhi não levar a vacina, enquanto dirigente ativa, porque não sentia (ainda) confiança para o fazer, mas dentro da Instituição foi dada oportunidade de escolha a cada trabalhador, sem imposições. E cada um escolheu a opção que maior confiança e segurança lhe conferia. E é assim que tem de ser, quando falamos de um estado democrático.

Todavia, inquietam-me as estratégias que estamos a seguir em nome do COVID.

Há um ano, por esta altura, debaixo da sombra das cores de um arco iris, andava tudo convencido que tudo ia ficar bem. Passou um ano e piorámos.

Piorámos do ponto de vista mental, económico e social.

Em nome do COVID arrumámos os abraços e os beijos; em nome do COVID acionámos prorrogação de subsídios de desemprego, lay off, programas de apoio social, moratórias; em nome do COVID ficámos prisioneiros nas nossas próprias casas.

Tudo isto em vista a salvarmos vidas humanas, poupando os recursos da saúde.

Façamos um exercício: que bem-estar assiste a um casal da classe média, com um filho pequeno e outro adolescente, casal que dependia, um da restauração outro do comércio, hoje em casa com subsídios de desemprego (que um dia acabam), que contam o aproximar do final do mês muito devagar, na hipótese do dinheiro esticar, sem alternativas de virem a ser integrados no mercado de trabalho?

Um casal que sempre teve o seu dinheiro e que agora se vê “obrigado” a pedir ajuda. E pede ajuda a quem? É verdade que nos dias de hoje se assume que ninguém tem por que passar fome. Mas e a pobreza envergonhada…? Aquela pobreza que preferia pedir ajuda familiar a ir a uma cantina social? Que resposta temos para estas famílias cujo número vai disparar?

Em nome do COVID não podemos aniquilar a dignidade que assiste a todos. E neste “todos” estão pessoas que toda uma vida trabalharam, pagaram suas contas, geriram seus orçamentos sem devaneios e, hoje, porque lhes faltam rendimentos não têm como se reerguer.

Não vale tudo em nome do COVID. E aqui entra o nosso terceiro setor. Pela política de proximidade que temos implementada nas nossas organizações, somos as entidades certas para solucionar este problema que tende a agudizar-se.

A solidariedade que veste o nosso setor é a asa perfeita para colocar em voo quem hoje se sente sem chão. Procuremos organizar os nossos recursos, mas mais: aproximando-se a transferência de competências para as autarquias, este é o tempo certo para que todos os dirigentes chamem a si as receitas necessárias, em regime de parceria, de modo a prosseguir com a missão que nos é confiada estatutariamente.

Temos dinheiro público, temos necessidades diagnosticadas, atuemos em conformidade com eficácia e eficiência e que em nome do COVID façamos o bem.

Santarém, 29 de março de 2021

 

Sónia Lobato Presidente do LENE e da UDIPSS SANTARÉM

 

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