Ter opinião – uma necessidade civilizacional

Vivemos numa Era em que todos se sentem na ‘obrigação’ de ter opinião sobre tudo o que acontece, assim como ter opinião sobre como deveria ser ou fazer! Os meios de comunicação social, as associações, as instituições, e todos os organismos que se dizem democráticos, vão cultivando e proporcionando através de orgãos e espaços mais ou menos organizados e regulamentados, para que seja possível expor as diversas opiniões relativamente às ações, estratégias, dinâmicas, programas a desenvolver, etc...

Todos já experimentamos o prazer de ter opinião e sobretudo de ter oportunidade para o fazer. Sentimo-nos úteis e integrados na discussão, pois tal como nos diz Provérbios 15:23, “expressar a própria opinião é motivo de alegria; e como faz bem o conselho certo na hora necessária!”. No entanto, fazemo-lo porque acreditamos que o certo é importante ser exposto na hora certa.

Mas, respeitando a opinião de todos e por ser tão importante e prazeroso expressarmos a nossa opinião, porque vivemos num ambiente democrático que devemos estimar (apesar de não ser, para alguns, um sistema de relação entre pessoas perfeito é, na minha opinião, o menos imperfeito) perece-me cada vez mais importante e urgente uma reflexão sobre a qualidade da opinião em detrimento da quantidade! Neste capítulo, e citando Efésios 4:29 “Não saia da vossa boca nenhuma palavra que cause destruição, mas somente a que seja útil para a edificação, de acordo com a necessidade, a fim de que comunique graça aos que a ouvem.”

Nesta descrição, podemos observar o cuidado com que as opiniões devem ter quanto à sua utilidade e pertinência, mas também ela deve acrescentar valor, deve inspirar, deve apresentar-se ao serviço do interesse coletivo em detrimento do interesse pessoal e apresentar soluções, pois “sem conselhos os planos fracassam, mas com muitos conselheiros há sucesso.” Pv 15:22

Ora, quem opina com qualidade passa a ser efetivamente um conselheiro, que apresenta as suas opiniões de forma comprometida com a situação ou acontecimento. Já dizia Nuno Lobo Antunes que “ter opinião dá muito trabalho, porque informação não é conhecimento!”, assim como Angelina Jolie dizia que, “o mundo precisa de atitudes não de opiniões, pois nenhuma mata a fome, ou cura a doença.”

Em suma, uma opinião num estado comprometido é útil, pertinente, necessária, acrescenta valor, inspira, está focada no interesse global em detrimento do pessoal, apresenta soluções… enquanto que uma opinião descomprometida, não acrescenta valor, julga, destrói, cria fofoca, foca-se no interesse próprio e concentra-se demasiadamente no problema impedindo o vislumbramento da solução!

Por isso, empenhemo-nos em desenvolver opiniões comprometidas e assim em conjunto e num ambiente democrático vivermos a acrescentar cada vez mais valor à existência e pensamento humano porque assim todos ganhamos e evoluímos. Ter opinião deve ser mais ou menos como o amor! Se não quiseres amar, não ames, mas não odeies!

A imagem pode conter: texto que diz "EU TENHO UMA OPINIÃO" 
Carlos Silva, músico e maestro da Banda de Freamunde

Deixe uma resposta

*