Quebrar o isolamento e a solidão dos idosos nos lares

O confinamento vivido pelos idosos que residem em Lares, ao longo deste longo ano, veio mostrar a necessidade de sermos criativos na quebra do isolamento e da solidão. O maior problema não será o facto de terem que ficar em casa, mas sobretudo de não poderem conviver, estar de forma livre e sem barreiras com os seus familiares.

Todos os que estão envolvidos nas estruturas que apoiam as pessoas mais velhas tentam perceber e compreender o envelhecimento e intervir para reduzir os seus efeitos naturais, evitando a exclusão das mesmas.

Em Portugal e nas sociedades mais modernas é grande o desenvolvimento ao nível das tecnologias de informação e de comunicação e a utilização das mesmas tornaram-se ferramentas imprescindíveis do nosso quotidiano. A utilização de novas tecnologias, foi, desde do início da pandemia, uma solução para a quebra do isolamento e para a manutenção da relação e contacto, mesmo que à distância entre idosos e seus familiares. No nosso dia a dia tratamos de serviços bancários, finanças, marcação de consultas, receção de receituário, compras. Comunicamos por email, pelas redes sociais como WhatsApp, Facebook, Twitter ou outras, acedemos a comunicação via online, usamos os computadores e os telemóveis para ser informados, para partilhar e para comunicar com texto, som e imagem

O acesso e a utilização das tecnologias da informação e da comunicação por parte das pessoas mais velhas não são de fácil acesso a todos, podemos mesmo falar em infoexclusão no caso desta faixa da população.  De uma forma geral os idosos têm mais dificuldades do que os jovens na utilização destas ferramentas, porque nunca tiveram contacto com as mesmas, sendo mesmo uma nova realidade para muitos…o simples uso de um telemóvel, é uma dificuldade que muitos idosos apresentam. As limitações físicas e psicológicas decorrentes do envelhecimento incapacitam grande parte dos idosos o que os impede de usar as tecnologias. Perante estes cenários, há que ser inovador procurando soluções que vão de encontro a estas necessidades.

O investimento por parte das instituições em programas de educação para os idosos, no âmbito da utilização das novas tecnologias, assim como a aquisição de equipamentos apropriados às necessidades deste grupo: computadores com teclados e ecrãs maiores, possibilitando a digitação e visualização adequada, colocação de auscultadores e microfones por forma a facilitar a comunicação. Estas como tantas outras soluções no mercado deverão ser implementadas, promovendo sobretudo um envelhecimento ativo e integrado da pessoa idosa particularmente num momento de tanta solidão e isolamento social.

Ana Cristina Alves Ferreira

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1 Comment

  1. O tema é de facto premente e impõe respostas de variada ordem, não só ao nível das ferramentas que possam contrariar a dita infoexclusão, mas acima de tudo o reforço de recursos humanos, voluntários ou profissionais, que tenham como função quase exclusiva assessorar todos os idosos nessa componente de acesso à informação, utilização das tecnologias e comunicação com o exterior. Contudo, devendo as instituições e entidades introduzir inovações significativas ao nível da domótica e inteligência artificial, por exemplo no comando por voz de camas, televisões, telemóveis, estores, chuveiros, iluminação, cadeiras de rodas, videochamadas, enfim, numa panóplia de rotinas que muito simplificariam o funcionamento diário das estruturas.
    Dizer ainda que cada idoso deveria ter uma determinada pessoa como sua provedora na instituição, repito, funcionária ou voluntária.
    Tenho na certeza que a adoção destas medidas tornariam a estadia dos idosos em algo muito diferente do que é presentemente!

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