LGTB na Igreja: Este é o meu corpo!

LGTB tem a atenção do Papa: “O Pai não renega nenhum dos seus filhos”

Francisco responde numa carta manuscrita em espanhol a algumas perguntas feitas pelo padre jesuíta James Martin que trabalha com pessoas Lgbt. O Papa refere que o “estilo” de Deus é proximidade, misericórdia e ternura!
Veja aqui a entrevista do Papa a James Martin: no site “Outreach”

___________________________________________________________________________

Olá Francisco, gosto de ti mas estás a fazer-me comichão!

O Papa Francisco é uma graça de Deus! (Só percebe isto quem tem experiência religiosa! pelo que não vale a pena admitir que estamos a fazer piada com “coisas da religião”). E lembro que logo no início das funções disse que os seus padres e bispos “deviam cheirar a ovelhas”, colocando na linha do serviço comunitário o prisma da sua acção, e, ao contrário, distanciar-se da igreja do Poder.

Nesta altura lembrei-me do cardeal Burke, ali nos Estados Unidos, que além de comichão terá experimentado uma digníssima e reverendíssima convulsão, pois essa coisa do “cheirar” rompe com a clareza do raciocínio lógico com muito trabalho construído pelo tal francês Descartes… E que jeito deu este antigo aluno jesuíta, pois esclareceu a quem governa que Deus (ratio)  é ordem, e portanto, em coisa de Poder nada como ter o incenso do senhor bispo que, como se sabe, exerce em comunhão espiritual com o homem de Roma, mas que, no seu território, manda ele. Tudo claro.

Cardeal Burke de veste coral e capa magna, em Gricigliano (Itália), na capela do Seminário Internacional do Instituto Cristo Rei e Sumo Sacerdote, cujos membros vemos entre os cónegos na nave da igreja e as religiosas no coro. A foto é da Semana das Ordenações de 2011, para a qual sempre o Eminentíssimo Cardeal é convidado a dar Sagradas Ordens.

A capa magna não é veste litúrgica, mas faz parte da veste coral dos abades, bispos e cardeais. Ela ainda é prevista no atual Cerimonial dos Bispos, é de direito do bispo diocesano (tal como o báculo e o trono, tendo que bispo estranho pedir autorização para usar em diocese que não a sua) e pode ser usada nas maiores solenidades em razão da realeza de Cristo, de quem o Bispo é o maior representante na Liturgia. © Imagem: ICRS

______________________________________________________________________________

Mas voltando ao Francisco que é o que interessa, importa dizer que a Santa Sé publicou para consulta o documento preparatório do Sínodo da Sinodalidade que começa em Outubro. Católicos de todo o mundo estão convidados a dar a sua opinião sobre a Igreja que querem.

Este documento preparatório, aborda questões sociais como o acolhimento a membros da comunidade LGBTI+, a relação com os divorciados, a poligamia e o celibato dos padres.

Enquanto prepara novas janelas de humanidade para a Igreja que dirige, Francisco tem vindo a remodelar o consistório cardinalício de modo a preparar a sua sucessão. E bem precisa, dado que as suas últimas iniciativas colocam em causa a visão eclesial de muita gente, disponível para dar continuidade à Igreja de Poder que sobretudo depois do século XV se estruturou na Europa e sendo por isso modelo de “evangelização” em todo o mundo.

Estamos ainda a pagar o preço disso!

____________________________________________________________________________

VER: CARDEAIS PRÓXIMOS DE FRANCISCO:https://religiolook.pt/noticias/cardeais-proximos-de-francisco-em-condicoes-de-eleger-o-proximo-papa/

São pois “insondáveis os desígnios de Deus” e a minha comichão vai no sentido contrário na procura de encontrar a humanidade da coisa embora na ansiedade de perceber se o sucesso será possível: uma igreja de serviço, e “onde o Pai não renega nenhum dos seus filhos”.

LGTB os nossos irmãos

A atenção de Francisco à comunidade gay, a compreensão da reivindicação à afirmação pessoal de todos e a necessidade vital de existir em liberdade, é uma constante no percurso do papa argentino peregrino nos bairros de lata de Buenos Aires, enquanto padre jesuíta.

Francisco, agora no Vaticano e quase a sair dele, dá indicações de uma relativa pressa em deixar a sua marca na “atenção do Papa” a quem realmente interessa – todas as pessoas sem excluir ninguém; e estabelecendo que é na dimensão comunitária do serviço que nos salvamos: “ninguém se salva sozinho”.

Ao abraçar (porque quer) as preocupações das pessoas LGTB, sabe Francisco que está a enfrentar os tumultos do inferno da memória, com séculos de preconceito, podendo ser acusado de pôr em causa (vejam bem!) os alicerces da fé…

Com esta opção, está também Francisco a dizer – outra comichão…- que a moral não é fundamento da fé, podendo ser dela sinal, aliás como deveria sempre ser. O que interessa para o Papa é considerarmos que “Deus é Pai, de proximidade, misericórdia e ternura” e que “não renega nenhum dos filhos”. E que sobretudo se manifesta no almoço de cada quinta-feira e para o qual ninguém é excluído desde que disponível para à volta de mesa, partir o pão e beber o vinho!

Non est consensus 

A aceitação pública da imagem do Papa Francisco é muito positiva em todo o mundo, o mesmo não acontece na Igreja Católica. Mas devemos esperar que o Papa seja uma figura consensual? Eu agradeço que não seja, dado que tem a missão de interpretar “os sinais dos tempos” e por isso a difícil tarefa de indicar o “registo de interpretação” da Igreja perante os acontecimentos desta história.

Como sabemos, em Jerusalém, foi necessário entrar no Templo e dele expulsar os chamados “vendilhões”. Esta tensão permanece, uma prova do difícil papel de Francisco quando nos explicar que no abraço de Pai todos cabem.

por Arnaldo Meireles

Todos querem uma sociedade justa. Nós lutamos por ela, Ajude-nos com a sua opinião. Se achar que merecemos o seu apoio ASSINE aqui a nossa publicação, decidindo o valor da sua contribuição anual.

Deixe um comentário

*